segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

*A que:

Sonha;
Sorri;
Acorda de mau humor;
Anda;
Faz o café;
Corre;
Atrasa;
Grita;
Chora;
Sofre;
Canta no chuveiro;
Lava a roupa;
Passa;
Vê um filme na tv;
Ensaia o pôr-do-sol;
Vê o barquinho na enseada;
Observa o mundo e Sente enquanto todos estão sendo;
Corre (esta chovendo);
Escreve porque dói;
Chora porque tenta;
Liga porque tem saudade;
Prepara o jantar;
Abraça;
Ama;
Dorme;
Sonha novamente;

sábado, 29 de setembro de 2007

Porque nem tudo precisa de explicação...

Inúmeras vezes observo o céu repetir-se na janela e cada dia acredito mais que o mundo, assim cor de anil ou cor de jambo, é enfadonho. E não digo pelas várias vezes que passei por ali, ou pelas vezes que deixei de estar aqui, ou pelos tantos “poréms” que impediram-me de ser levada para acolá. Cada traço da cidade cinza parece-me só, e acho, em dias assim, que tudo existe de forma singular porque necessariamente somos sós. Insistimos em ser metade porque apesar de tudo, por algum descuido da natureza, necessitamos de cuidado, de um olhar que descansa, precisamos lutar contra tudo que somos porque é assim que tem de ser.
Cada molécula que nunca irá repetir-se novamente, cada segundo que voa pelo tempo e nunca mais viverá a não ser em nossa mente. Penso em tudo que vai e tudo que fica, e o passado substancialmente me soa tão presente quanto a vida, e a linha que o distingue do agora faz-se tão frágil que hora ou outra me perco no tempo tentando esquecer tudo que foi e o medo do que será.
E o tempo passa pela janela e não peço carona, observo-o indo e vindo, suas curvas, seus desvios, seus atropelos, seus inesperados encontros, suas paixões e suas lágrimas escorrendo. Tento livrar-me dele mas ele me gruda, me pega, me leva daqui pra o passado e vez outra me traz de volta assim, ressabiada... Leva-me daqui pro futuro e vez ou outra me traz de volta assim, com sonhos juvenis. Leva-me pra o presente e não me trás de volta não, fico inerte dentro de cada esboço de sorriso que dou e que guardo dentro de mim como um tesouro inimaginável.
Dentro de cada instante tento esquecer-me de todas as coisas necessárias, mas elas invadem o meu mundo em dias irrelevantes, em horas inesperadas, preenchem o vazio de meus pensamentos e devastam tudo que plantei e reguei em meu coração. Ficam martelando, viram idéias fixas e voam, voam por ai e por aqui sempre que estou a distrair-me com os andares de viver.
Chove lá fora, e o vidro novamente esta embaçado, e na névoa bem ali à frente eu percebo o que tanto me custa enxergar. Viver dói, viver cura... E viver inesperadamente é a única solução para nós, esses bichinhos tão instintos ultimamente, os sonhadores.


sábado, 4 de agosto de 2007

Sobre as manhãs após finalmente acordar pra vida

"Porque foste na vida
A última esperança
Encontrar-te me fez criança
Porque já eras meu
Sem eu saber sequer
Porque és o meu homem
E eu tua mulher
Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh'alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser"
(Tom Jobim)

Misteriosamente, e não por coincidência, parece-me que Rio de Janeiro exala MPB por todos os poros. Talvez seja o pão de açúcar ou o corcovado, pensando melhor... Deve ser o amor.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Um passeio pela cidade maravilhosa.

Se você anda no Centro do Rio de Janeiro pode ver TUDO. Ele, literalmente, ferve. É vivo, é quase gente.É brasileiro daqui, dali, de lá e de cá. É coração do universo, é vida a pulsar. Tantos rostos... Pequenos rostos que desenham a imensidão limitada pela Avenida Rio Branco. Chinelo, bermuda rasgada, panfleteiros, calça jeans da moda, escarpin e terno Armani. Vê-se de tudo um pouco e do pouco tudo. O sol não ajuda, e ninguém ajuda, se você está no Rio de Janeiro é você por você "meu irrrmão". Oito da manhã ele nasce, dez da noite ele dorme e na madrugada ele quase morre. É o dia a dia de um bicho cansado, sujo mas vivo, ele é coração que bate fervorosamente cada veia e pedaço dessa cidade cheia de "encantos mil".
Quando chego em Botafogo, terra abençoada pelo Cristo, lá em cima de braços abertos a nos velar, sinto que o Rio de Janeiro dorme. Sono tranqüilo, paz de navegador que contempla o horizonte. Lembro do entardecer na Urca, dos passeios que fico a observar pelas calçadas os trilhos bem delineados e limpos, das madames e seus poodles dançando com graça e claro não poderia nunca me esquecer delas, as "garotas de Ipanema" que se estenderam para o Leblon e Barra da Tijuca.
Fevereiro é carnaval. E abram alas que o Rio de Janeiro de várias faces quer passar.É banda na rua, banda na TV, banda de frevo, banda de rock na lapa pra quem quer fugir. É Brilho, glamour é paetê. Mas todo carnaval tem seu fim, e após ele em uma tarde de pico de um dia qualquer você conhece a Mangueira realmente. Glória ao pai! Muita gente no trânsito, muita gente no hospital. É bala que voa pra lá, pra cá. É bala meu filho, não vê? Corre senão ela pega você! Rio de janeiro está vivo, gritando e cantando, sorrindo e chorando, é sangue que escorre no noticiário da TV.
Rio de Janeiro dos pobres estudantes encarcerados, surrupiados do direito de ser o que lhes foi ensinado, das domésticas más que são espancadas sem saber o porquê, dos pais que tapam os olhos com a venda da hipocrisia com medo de ver. Rio de Janeiro dos peões, pedreiros e lixeiros que acordam cedo e cansam os músculos e a vida pra comer, dominados pelos pobres meninos armados que comandam a boca. Fazer o quê? Eles não tinham como escolher, a sociedade dominada pelos burgueses os obrigam a “matar” a sede de viver.
E agora tem a eleição do Cristo Redentor, é camiseta pra lá, propaganda pra cá. É o senhor presidente louvando a grande beleza da cidade, orgulho desse nosso país de Deus. Companheiros, votemos no Cristo, sejamos patriotas!Tapem os olhos, porque nossa cidade, definitivamente, é maravilhosa!

sexta-feira, 22 de junho de 2007

História (de amor) sem fim.

Ela

Dois copos de vodka com maracujá. Tédio... Raiva. Era raiva? Não era raiva, não era tristeza. Era só algo que invadia os pensamentos devastando tudo como um tornado. Era um nó engasgado e envolto a uma pergunta sem resposta, a uma perda tão inexistente como as cicatrizes em seu coração. Um vazio cheio de singularidade que tomava posse de suas noites, e fazia de seus pequenos gestos verdadeiros objeto de rara demonstração. Ela não vivia pra si, vivia para os outros.

Ele

Só... Tão cheio e tão grão de areia no universo que não podia entender. Não entendia, não perguntava. Era incógnita dos próprios pensamentos que guardavam a esperança de um menino. Prendia-se na dor dos que foram embora cedo demais, arranhava as paredes e o macio doce da lâmina em sua carne fazia-o esboçar um sorriso. Observava o sangue escorrer por entre seus dedos , pelas suas mãos, e enfim atingir o chão, dando-lhe cores que lembravam o crepúsculo anunciante do final de mais uma noite em vão. E o frio tomava conta de seu corpo tão rápido quanto os gritos de horror presos na madrugada, gritos que ele continha em sua mente juntamente com suas lágrimas.

Início [Aquele dia]

-Fale com ela;
-?
-Fale com ela!
-Com quem?
-Já viu o filme?
[Ela é maluca]
[Ele é burro]

Nós [Algum e muito tempo depois]

-Alô!
-Tudo bem? É a L..
-Porque está me ligando?
-Porque tenho saudade, não posso sentir saudade J. ?
-Pode, (...).
Não era de L. que falava, trocava a sua singularidade personalíssima por outro nome, o seu nome agora estava preso na garganta, sabia que se o trocara pelo de outra algo estava errado.

Recomeço


-Como você ousa me “enviar” um beijo pela C.? Não conhece o significado da palavra nunca mais?
-Sinto saudade.
-Nesses três meses longe de você sofri e senti o amargo da desesperança, tentei esquecer que você disse que nunca me veria como mulher quando perguntei porque tinha escolhido outra. Porque insiste nessa amizade naufragada? Eu preciso te desgrudar dos meus pensamentos...
-As vezes acho que me sentirei um órfão quando você deixar de me amar, e então me apaixonarei por você, e só nesse dia perceberei tudo que perdi.
-Isso é triste.
-Por quê?
-Eu seria como uma criança, de olhos brilhantes pregado na vitrine, que deseja uma bicicleta mais que sua própria vida. E quando enfim a ganhasse seria tarde demais, já havia desistido dela, e nesse momento estaria sonhando com um par de patins.
-Realmente é triste.


Eu te amo

-Porque você some? Sabe que me preocupo com você mais do que com minha própria vida, sabe do amor que guardo em cada entrelinha de meus pensamentos, sabe que uso nossa amizade como escudo que esconde a dor por não te ter ao meu lado. Você viu quantas vezes te liguei. Tenho medo... Já não sei se quero continuar com isso J. , sou apenas uma menina que busca o seu amor e que nunca o terá, algum dia, em algum lugar tenho que me conformar com isso.
-Noite passada pensei muito em você.
-Pensou em mim e não deu sinal de vida? Eu realmente não consigo te entender, não consigo entender qual vai ser o final dessa história.
-L., Eu te amo.
[Incrível como frações de segundos mudam completamente a vida de algumas pessoas.]

Hoje

-Estou tão angustiada, sinto um aperto, uma vontade de chorar. Deixar uma vida de lado e ser tão feliz que as vezes dói custa um preço além do que eu poderia imaginar.
-Me abraça... Não chora minha pequena.
[Ela canta]
-“Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida eu vou te amar, em cada ausência tua eu vou te amar(...)”
Lágrimas, sorrisos, olhos de enleio e de ternura em meio a mãos que afagam e mostram o que é dizer do amor com dedos que contornam a face. Olhos novamente.
-Eu te amo, minha pequena.

Ela

Observa ele enquanto dorme, o seu menino, o fruto de um amor que fica preso em cada instante de sua vida, a estrada que escolheu percorrer dentro de seus lábios, de seus braços de seu sorriso. É o alivio das tardes que sufocam o domingo. É passeio na Urca sob a luz do pôr-do-sol. É música inédita de sua alma que era muda. Ela vela o sono de um anjo. Ele agora é palavra final de história sem fim.

Ele

Tem a vida que nunca escolheu pra si, mas que vive pois está ao lado dela. Descobre, diante do esforço de cada dia que faz para estarem juntos, que nunca sabemos do que somos capaz até amar alguém de verdade. Ele agora é o menino preso em cada grito que se libertou da escuridão. Ele dorme. Ela agora é ponto final de história sem fim.