sábado, 17 de abril de 2010

Cores

"I know we all, we all got our faults
We get locked in our vaults and we stay
But when you’re gone all the colors fade
When you’re gone no New Year’s Day parade
You’re gone
Colors seem to fade
Colors seem to fade"

Todos os dias passo pelas mesmas ruas, todas as cores, todas as pessoas com seus rostos.
As cores aqui me são tão estranhas, os olhos tão cinzas os corações tão amargos. Eu precisei ir embora pra perceber o quanto eu precisava de alguns lugares na minha vida. Eu tenho novos amigos, uma nova casa, um cachorro, a pessoa que amo, mas é triste ver as coisas que você foi indo embora.
É triste não poder ver os velhos amigos, não saber da suas vidas e não fazer parte delas. A saudade aperta, e a vida as vezes parece tão longe que eu me sinto fora dela, como uma estrangeira, aqui não é meu lugar. Mas onde será que é?
Eu vejo filmes tentando encher minha vida de saudade de tudo que não vi, eu busco novos mundos pra tentar preencher esse vazio, mas ele não cessa. As vezes penso que estou velha demais, outras nova demais e outras vezes penso que tudo deveria estar mesmo como está.
Faltam-me cores.... Mas onde é que as posso encontrar??

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

História sem final feliz.

Era sexta. Dia que tudo acontece e começa. Eram jovens. E de fato só isso interessava. Ela gostava dos seus óculos, do seu sorriso e do seu sarcasmo. Ele gostava dela e nem sabia por quê. Eram diferentes. Ele buscava o céu e ela a terra. Ele buscava aventura ela postura. Conheceram-se na pior hora pra se conhecer e se afastaram porque era óbvio que ia dar errado. Nada aconteceu, palavras foram jogadas ao vento e se perderam por ai. E só.

Quatro anos depois ela era Engenheira e ele estava prestes a concluir Filosofia. Era o cálculo versus os sonhos. Eram amigos de conversa de elevador. Ele se casou, ela foi a Paris, Londres. Viveu no Canadá por 2 anos e só namorou sério uma vez e deu errado.

Quando se encontravam se falavam sem se entender. Tinha um quê entre os dois que ninguém compreendia, ela tinha uma necessidade imensa de ter sua atenção e aprovação e ele fazia questão de mostrar que pouco se importava com qualquer coisa que ela estava falando. A noite, enquanto sua mulher comentava como os preços estavam subindo ele ficava pensando porque as palavras dela grudavam em sua mente, tentava descobrir alguma coisa entre aquelas linhas. Não descobria nada, ia dormir.

Ele não era feliz, ela também não.

Novamente sexta, se encontraram em um bar. Ela queria sair ele queria se distrair da vida. Beberam demais. Falaram demais.

- Você gostava de mim?

- Eu? Sei lá.

- Sei lá?

- Tá certo, eu imaginei que você fosse minha alma gêmea por algum tempo.

- Mudou de idéia?

- Eu cresci.

- E daí?

- Às vezes a gente creste tanto que não tem espaço pra algumas coisas, sabe?

- Hum... Eu gostava de você, de verdade. Achei alguma coisa dentro de você e pensei que ninguém percebia. Eu te via de um jeito que ninguém nunca te viu eu garanto.

- Por que você tem tanta certeza?

- Porque eu ainda te vejo assim, mas ninguém percebe, nem você.

- Humpf! Você ainda continua dando uma de esperta.

- E você ainda dá esse “humpf“ ridículo quando acha que eu sou esperta. Por mais que você esconda pra mim parece tão escancarado. Você é como um ratinho preso naquelas rodas, sabe? Você sabe o que quer, mas nunca chega lá. Dá voltas e voltas por ingenuidade. Você é tão ingênuo. Atrás desse ar de maioridade você não passou dos 20, e nunca vai passar, talvez por isso você ainda me incomode. Você é o mesmo que eu amei um tempo atrás.

- Eu te incomodo?

- É.

_ Você também me incomoda, só pra saber.

Sorriram. Ele ficou olhando pra ela um tempo, ela também. Ela deu o seu número de telefone e disse que ele poderia ligar quando quisesse. Ele disse que ligaria. E ela sorriu novamente. Ele chegou em casa e enquanto sua esposa dormia pensou em ligar pra ela. Ela chegou em casa e sentiu vontade de ouvir a voz dele antes de cair no sono. Ambos pegaram os telefones, mas não ligaram.

Na manhã seguinte ele a encontrou no parque, tinha na sua cabeça tanta coisa, tanta coisa como no dia que resolveu se declarar há uns anos atrás e ela disse que iria se mudar, e que poderiam ser amigos, e ele desistiu.

- E ai de ressaca?

- Eu? Eu nunca fico de ressaca, sou uma ovelha negra. Você que é homem de família.

- É... Sobre ontem, sobre o que falamos.

- Ah! Quanta bobagem eu falo bêbada. Eu fico boba bêbada, sabia?

E riu, como se tudo fosse besteira, e não valesse mais que um copo de vodka seguido de tequila.

Ele pensou um pouco, mexeu na folha no chão com os olhos baixo e disse.

- Pois é, eu também.

- Bom, eu tenho que ir , estou atrasada pra o almoço.

- Tá legal nos vemos por ai.

Ela novamente sentiu aquele nó na garganta. Ele jogou seu telefone no lixo. Ela continuou com aquele sentimento estranho, ele se separou e casou novamente, e novamente. Nunca se completaram, nunca se entenderam. Ficaram por ai, girando, girando. Os ratinhos em seu brinquedo. Buscando o que não queriam, amando o que não deviam. Lá no céu um anjo ficou triste. Eram almas gêmeas, e nem sabiam.

A vida passou, o vento passou, os anos vieram. Estão sozinhos cada qual no seu canto, e o que ganharam? Ganharam a certeza que os jovens erram, e que os velhos também. É a vida. Ninguém disse que ia ser fácil. E de fato, não foi.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Vale a pena....

Lido em uma dessas manhãs entediantes no metro.

O Gigante Egoísta

Todas as tardes, ao saírem do colégio, as crianças costumavam ir brincar no jardim do Gigante.

Era um jardim lindo e grande, com grama verde e suave. Aqui e ali, sobre a grama, apareciam flores belas como estrelas, e havia doze pessegueiros que, na primavera, abriam-se em flores delicadas em tons de rosa e pérola, e davam ricos frutos no outono. Os pássaros pousavam nas árvores e cantavam tão docemente que as crianças costumavam parar de brincar para ouvi-los.

- Como nos sentimos felizes aqui! – exclamavam elas.

Certo dia ele voltou. Ele tinha andado visitando seu amigo, o ogre da Cornualha, e ficara sete anos com ele. Depois de sete anos ele já havia dito tudo que tinha o que não tinha para dizer, já que sua conversa era limitada, e resolveu voltar para seu próprio castelo. Ao chegar, ele viu as crianças brincando no jardim.

- O que é que vocês estão fazendo aqui? – gritou ele com uma voz muito ríspida, e as crianças saíram correndo.

- O meu jardim é meu jardim – disse o Gigante. – Qualquer um pode compreender isso. Eu não vou permitir que ninguém brinque nele, a não ser eu mesmo.

De modo que ele construiu um muro alto em torno do jardim e colocou um cartaz de aviso.

OS INVASORES SERÃO PROCESSADOS!

Ele era um Gigante muito egoísta.

As pobres crianças agora não tinham mais onde brincar. Elas tentaram brincar na estrada, mas a estrada era muito poeirenta e cheia de pedras duras, e eles não gostavam. Começaram a passear em torno do muro depois das aulas, conversando sobre o lindo jardim que ficava lá dentro. "Como éramos felizes lá!", diziam uma ás outras.

Então chegou a Primavera, e por todo o país apareceram pequenas flores e pequenos pássaros. Só no jardim do Gigante Egoísta é que continuava a ser inverno. Os passarinhos não gostavam de cantar lá, porque não havia crianças, e as árvores se esqueceram de florescer. Uma vez uma flor bonita chegou a brotar, mas ao ver o cartaz de aviso ficou com tanta pena das crianças que se enfiou de volta no chão e adormeceu. Os únicos que estavam contentes eram a Neve e o Gelo.

- A Primavera se esqueceu deste jardim – eles exclamaram -, de modo que podemos viver aqui o ano inteiro.

A neve cobriu toda a grama com seu manto branco, e o Gelo pintou todas as árvores de prata. Eles convidaram o Vento do Norte para se hospedar com eles, e ele veio. Todo enrolado em peles, rugia o dia inteiro pelo jardim, derrubando as chaminés com seu sopro.

- Este lugar é ótimo – disse ele. – Nós precisamos convidar o Granizo para vir fazer uma visita.

E o Granizo apareceu. Todos os dias, durante três horas, ele matracava no telhado do castelo até quebrar quase todas as telhas, e depois corria, dando voltas pelo jardim o mais depressa que podia. Sempre vestido de cinza, soprava gelo para todo lado.

- Não entendo porque as Primavera está demorando tanto a chegar! – disse o Gigante Egoísta, sentado junto à janela e olhando para seu jardim frio e branco. – Espero que o tempo mude logo.

Mas a Primavera não apareceu, nem o Verão. O Outono trouxe frutos dourados para todos os jardins, mas nenhum para o do Gigante.

- Ele é muito egoísta – disse o Outono.

De modo que ali ficou sendo sempre inverno, e o Vento Norte e o Granizo, a Neve e o Gelo dançavam em meio às árvores.

Certa manhã, o Gigante estava deitado, acordado, na cama, quando ouviu uma música linda Soava com tal doçura em seus ouvidos que ele até pensou que deviam ser os músicos do Rei que passavam. Na realidade era apenas um pequeno pintarroxo cantando do lado de fora de sua janela, mas já fazia tanto tempo que ele não ouvia um só passarinho em seu jardim que aquela parecia ser a música mais bonita do mudo. E então o Granizo parou de dançar sobre a cabeça dele, e o Vento do Norte parou de rugir, e um perfume delicioso chegou até ele, através da janela aberta.

- Acho que finalmente a Primavera chegou – disse o Gigante. – E, pulando da cama, olhou par fora.

O que ele viu?

A visão mais bonita que se possa imaginar. Por um buraquinho no muro as crianças haviam conseguido entrar, e estavam todas sentadas nos ramos das árvores. Em todas as árvores que ele conseguia ver havia uma criança. E as árvores estavam tão contentes de terem as crianças de volta que se cobriram de flores, balançando delicadamente os galhos, por cima da cabeça da meninada. Os passarinhos voavam de um lado para outro, chilreando de prazer, e as flores espiavam e riam. Era uma cena linda, e só em um canto é que continuava as ser inverno. Era o canto mais distante do jardim, e nele estava de pé um menininho. Ele era tão pequeno que não conseguia alcançar os ramos da árvore, e ficou andando em volta dela, chorando, muito sentido. A pobre árvore continuava coberta de neve e de gelo, e o Vento do Norte soprava e rugia acima dela.

- Sobe logo, menino! – dizia a Árvore, curvando os ramos o mais que podia. Mas o menino era pequeno de mais.

E o coração do Gigante se derreteu quando ele olhou lá para fora.

- Como eu tenho sido egoísta! – disse ele. – Agora já sei porque a Primavera não aparecia por aqui. Eu vou colocar aquele menininho em cima daquela árvore, depois vou derrubar o muro, e meu jardim será um lugar onde as crianças poderão brincar para sempre e sempre.

Ele estava realmente arrependido do que tinha feito. E assim, desceu a escada, abriu a porta da frente com toa a delicadeza, e saiu para o jardim. Mas quando as crianças o viram ficaram tão assustadas que fugiram, e o inverno voltou ao jardim. Só o menininho pequeno é que não fugiu, porque seus olhos estavam marejados de lágrimas e não viu o Gigante chegar. E o Gigante aproximou-se de mansinho por trás dele, pegou delicadamente em sua mão e o colocou em cima da árvore. A árvore imediatamente floresceu, e os passarinhos vieram cantar nela; e o meniniho esticou os braços, passou-os em torno do pescoço do Gigante e o beijou. Quando viram eu o Gigante não era mais mau, as outras crianças voltaram correndo, e com elas veio a Primavera.

- Agora o jardim é de vocês, crianças – disse o Gigante. E pegando um imenso machado, derrubou o muro. Quando toda a gente começava a iro para o mercado, ao meio-dia, lá estava o Gigante brincando com as crianças no jardim mais bonito que todos já haviam visto.

Elas brincavam o dia inteiro, mas quando chegava a noite despediam-se do Gigante.

- Mas onde está seu companheirinho? – perguntou ele. - O menino que eu botei em cima da árvore.

O Gigante gostava dele mais do que de todos os outros, porque ele lhe havia dado um beijo.

- Nós não sabemos – responderam as crianças. – Ele foi embora.

- Vocês têm de dizer a ele par anão deixar de vir aqui amanhã – disse o Gigante.

Mas as crianças disseram que não sabiam onde ele morava, e que jamais o haviam visto antes. O Gigante ficou muito triste.

Todas as tardes, quando acabavam as aulas, as crianças iam brincar como Gigante. Mas o menininho de quem o Gigante gostava nunca mais apareceu. O Gigante era muito bondoso com todas as crianças, mas sentia saudades de seu primeiro amiguinho, e muitas vezes falava nele.

- Como eu gostaria de vê-lo! – costumava dizer.

Os anos se passaram, e o Gigante ficou mais velho e fraco. Ele já não conseguia brincar direito, e então ficava sentado em uma poltrona enorme, olhando as crianças que brincavam e admirando seu jardim.

- Tenho tantas flores lindas – dizia ele -, ma as crianças são as flores mais bonitas de todas.

Certa manhã de inverno, ele olhou pela janela enquanto se vestia. Agora já não odiava o inverno, pois sabia que este era apenas a Primavera enquanto dormia, e que as flores estavam descansando.

De repente ele esfregou os olhos, espantado, e olhou, e olhou, e olhou. Era por certo uma visão maravilhosa. No cantinho mais distante do jardim havia uma árvore toda coberta de flores brancas. Seus ramos eram dourados, carregados de frutos de prata, e debaixo deles estavam o menininho que ela amava.

O Gigante correu pelas escadas, com a maior alegria, e saiu para o jardim. Cruzou depressa o gramado e chegou perto do menino. E quando chegou bem perto, seu rosto ficou rubro de raiva, e ele disse:

- Quem ousou te ferir?

Nas palmas das mãos da criança estavam as marcas de dois pregos, como m haviam marcas de dois pregos em seus pezinhos.

- Quem ousou te ferir? – gritou o Gigante. – Dize-me, para que eu possa tomar de minha grande espada para matá-lo.

- Não – respondeu o menino -, pois essas são as feridas do Amor.

Quem és? – perguntou o Gigante, e quando o temor apossou-se dele, ajoelhou-se diante da criança.

A criança sorriu para o Gigante e lhe disse:

- Você me deixou, certa vez, brincar em seu jardim, e hoje você irá comigo par ao meu jardim que é o Paraíso.

Naquela tarde, quando as crianças chegaram correndo, encontraram o Gigante morto, deitado debaixo da árvore, todo coberto por flores brancas.

Oscar Wilde - Histórias de Fadas


terça-feira, 11 de agosto de 2009

“Deserto de Almas”

Choveu muito lá fora. Noite longa, vento forte. E o Abismo...

Quanto mais pessoas, mais só torna-se a existência de nossas vidas. Mais só são as margaridas no jardim lá fora, e mais inexplicáveis tornam-se os sonhos em meio a madrugada.

Ninguém se conhece, se entende. E se conhece despreza, se entende esquece. É difícil colocar-se no outro, e o nosso egoísmo vem nos tornando cada vez mais solitários em um mundo em que não vale a pena entender.

A estranheza vive nos corações. E por mais que socializemos, que sorrimos de piadas por cordialidade, que bebamos dois dedos de vodka com maracujá ao som de jazz e ao cheiro de cigarro, nunca somos o que somos e fazemos o que de fato queremos. Ou por medo, ou por mediocridade, ou pela máscara que já está tão grudada que não sabemos onde começa ou termina.

Dia seguinte só nos resta à ressaca, as palavras que já esquecemos, o som e as cores que guardamos na memória virtual do nosso cérebro. Algumas irão embora, algumas são pra vida toda.

“Era sexta, estávamos na Lapa, sentados na sarjeta filosofando sobre como não queríamos nossa futura filha ali, sendo desviada do caminho com um copo de caipirinha na mão, eu era uma ovelha negra e ela nunca saberia disso, seria o nosso segredo. Aquela foi a primeira vez que vimos nossa banda favorita juntos. Nesse dia o destino elegeu Último Romance como nossa música, e a escolha foi selada com aquele beijo enquanto Amarante a cantava pra nós. Nunca me esquecerei dos seus pequenos olhos, do boné, e do seu jeito de se declarar sem dizer, aqueles olhos ficarão guardados aqui pra sempre, e nunca irão embora. Na manhã seguinte passarinhos cantavam na minha janela, finalmente havia descoberto que minha existência não estava fadada a solidão.”

E hoje, ao pensar em tudo fica uma coisa estranha no peito. Vejo a multidão pequena demais diante da solidão na qual está fadada. O mundo agora é o deserto que cultivaram pra que as pessoas não possam se encontrar.

Olho pra tudo que tenho e fica o medo. Ficam as imperfeições. Ficam os perdões. As promessas. Ficou você. E até hoje fico me perguntando, me questionando, me interrogando. Somos almas gêmeas? E veio ele me dizer:

"Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra — talvez por isso, quem sabe?" Caio F. Abreu

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Brasil: “Dos filhos deste solo és mãe gentil”?

Nunca fui patriota, e não foi descaso, acho apenas que meu país não merece. Não dá pra se confiar num país onde a picaretagem é bonita. E velho amigo de olhos arregalados, limpe seus óculos, e olhe bem ao seu redor.

Não digo que no resto do mundo é Neverland, o ser-humano é o ser mais indigno que existe e não se pode esperar muito dele. Espero mais de urubus do que de seres-humanos. Mas o brasileiro consegue ultrapassar a barreira da dignidade tão rapidamente que assusta, bastam uns trocados e uma boa conversa para o jeitinho brasileiro entrar em ação.

Ao meu redor todos culpam o meio. Fulano rouba e a culpa é do rico, que o estraçalha, que não o dá oportunidade e que o prende nessa sociedade capitalista.

Prezados senhores, eu nasci pobre, fui pobre uma grande parte da minha vida, minha mãe nunca concluiu o chamado ensino fundamental, no entanto, enquanto esses pequenos delinqüentes desprotegidos estavam remexendo as cadeiras em um baile funk, a minha estava pregada em uma poltrona, às 11 da noite, enquanto minha cabeça tentava equacionar todas as informações que recebia regada com café pra não entrar em pane e dormir. Eu fui muito mais pobre do que sou hoje e não tenho vergonha disso, no entanto, não tenho orgulho da minha pobreza. Eu busco o sucesso e só. E se as pessoas não são capazes o suficiente pra buscar o seu sucesso não é um problema meu. Como diria o poeta “coitado é filho de rato que nasce pelado”.

E os coitados do Brasil, caros senhores, reclamam muito dos seus governantes, é escândalo atrás de escândalo, é tanto dinheiro pro senhor senador e nada pra os brasileiros lutadores do nosso país. Eles que vêem o nosso país afundar em sua TV a cabo GATO, que se enrolam com os impostos e roubam energia elétrica do vizinho, que acham celular na rua e a necessidade os obrigam a jogar correndo o chip fora e ir vendê-lo, Deus, proteja a alma desse povo que sofre desmerecidamente! E dê-lhes belas vendas de camurça pra agüentar o sofrimento!

Caros amigos, sinto dizer-lhes, mas aqueles caras lá no Congresso são a foto-imagem do Brasil. Então, novamente limpem seus óculos, e comecem onde ainda tem jeito: vocês.

Como sei que nesse exato momento o brasileiro está pensando que eu sou uma insensível, que não gosto dos pobres e que sou uma americanizada de merda, eu jogo a toalha.

Mas ainda resta vida longe daqui... Um dia ainda roubo um iate, fujo pra Itália e vou viver em uma pequena vila de uvas. Até lá, meu amigo, fico aqui, assim, vendo a terra que me criou ser estraçalhada pela mediocridade e estupidez do povo que a ocupou.

É isso ai Brasil, vamos que vamos, de que importa a honestidade quando estamos rumo ao hexa?