quinta-feira, 30 de outubro de 2008

SONETO DA FIDELIDADE

De tudo, meu amor serei atento,
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto.
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama.
Mas que seja infinito enquanto dure.
(Vinícios de Morais)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Do passado pro futuro.

"Ela me olhou bem, quem sabe com ela eu teria as tardes que sempre me passaram como imagem como invenção"
"As ruas desse lugar ,conhecem bem, as noites longas, as noites pálidas, quando eu te procurava"

"Look how they shine for you"
"A não ser a vontade de te encontrar e o motivo eu já nem sei, nem que seja só pra estar ao teu lado, só pra ver no teu rosto, uma mensagem de amor."


Do muito que vi de meu passado, nos blogs, nas lembranças, nas fotos, posso dizer que vivi o verdadeiro muro das lamentações. Eram lamúrias de todos os tipos, pra todos os gostos, de todas as formas. Era um exercício enorme pra paciência e pra vontade. Eram um frizar de todas as tristezas e uma verdadeira ignorância das coisas que eram próximas à felicidade.
Eu me entediei em vinte minutos, isso porque era minha vida, minhas músicas, minhas lágrimas, minhas decepções, meus amores inacabados e acabados. Era um tantinho do meu passado misturado e escrito em um português horrível.
Meu passado hoje me afronta diariamente, sinto saudades, não era melhor antes mas sinto saudades. Da chuva de sapos naquela noite fria, dos cacos nas gavetas, do espelho e da menina, do jardim e principalmente das flores, umas morreram, outras foram embora e algumas viraram borboletas e voaram pra bem longe daqui.
Hoje ouvi todas aquelas músicas, Yellow, Ali, As noites, Palavras, No Surprises, Wise up, Save me, Mensagem de Amor, Eu preciso dizer que te amo. Li Drummond, Goethe e ate Pequeno Príncipe.
Vasculhei a memória e guardei no coração a lembrança. Hoje escrevo não pra que leiam, ou que ouçam alguma teoria babaca. Hoje escrevo por mim, pra o meu futuro. Pra daqui quem sabe quatro anos eu possa entrar aqui novamente, ler tudo de novo, lembrar tudo de novo, e ficar com essa sensação. Essa sensação de passado guardado, de trilha, de caminho, de saudade. De Vida.

"Enleio:

Que é que vou dizer a você ?
Não estudei ainda o código
De amor.
Inventar, não posso.
Falar, não sei.
Balbuciar, não ouso.
Fico de olhos baixos
Espiando, no chão, a formiga.
Você sentada na cadeira de palhinha.
Se ao menos você ficasse aí nessa posição
Perfeitamente imóvel, como está,
Uns quinze anos ( só isso )
Então eu diria:Eu te amo
Por enquanto sou apenas o menino
Diante da mulher que não percebe nada.
Será que você não entende,
será que você é burra ?"

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Desvarios

"s. m.,
acto ou efeito de desvariar;
loucura;
delírio, exaltação;
devaneio, desacerto, erro."


Ah! Se não fosse essa vontade louca de viver... The Strokes & ipod. No último volume, em plena Rio Branco às 6 da tarde. Afinal, se não vivermos o que nos resta fazer?

Last night she said
Oh, Baby, I feel so down
Oh, and turned me off
When I feel left out
So I, I turned around
Oh, baby, I don't care no more
I know this for sure
I'm walking out that door
Well, I've been in town
For just about fifteen whole minutes now
Oh, Baby, I feel so down
And I don't know why
I keep walking for miles
But the people they don't understand
No, girlfriends, they can't understand
Your grandsons, they won't understand
On top of this I ain't ever gonna understand
Last night she said
Oh, Baby, don't feel so down
Oh, and turned me off
When I feel left out
So I, I turned around
Oh, Baby, I'm gonna be alright
It was a great big lie
Cuz I left that night, yeah
Oh, people they don't understand
No, girlfriends, they don't understand
In spaceships, they won't understand
And me, I ain't ever gonna understand
Last night she said
Oh, Baby, I feel so down
She had turned me off
When I feel left out
So I, I turned around
Oh, little girl, I don't care no more
I know this for sure
I'm walking out that door, yeah



Preferida \o/

domingo, 7 de setembro de 2008

Borboletas negras;

”A borboleta negra é aliada da morte, avisando que alguém vai morrer”


Há muito tempo, não o suficiente pra me apagar a memória, lembro-me de alguém ter me dito que as pessoas más se transformavam em borboletas negras quando morriam. Então, como num código secreto, as pessoas que amei, e que foram embora da minha vida e não de dentro de mim, morriam, e nasciam borboletas negras em seu lugar, e elas povoavam um jardim escondido na minha alma, jardim este que estava coberto pelo frio causado pelo inverno do meu sentimento. Essa era a fase que eu chamava de esquecimento, essa era a fase que mais demorava, essa era a fase que eu mais temia.
E também me lembro de algo mais. Lembro de ter lido que um relacionamento se equilibra na frágil linha de uma das partes abdicar do não e da outra deixar-se dizer sim, um relacionamento se constrói na constante busca de um “não deixar que as coisas se percam”, se constrói na ligação que você jurou que não ia fazer, no caminho que você contornou porque não queria ir embora, nas noites embriagadas que não segurou o eu te amo na ponta da língua e nas vezes que olhou no fundo do espelho e se questionou se realmente valia a pena, e valeu. Constrói-se no não acompanhado do sim, porque o sim é a constatação de que ainda há um motivo pra se lutar por aquele momento.
E por mais que aprendemos, as pessoas vão embora... Mas ficam os cheiros, ficam as músicas, ficam aqueles instantes guardados em um lugar bem fundo e escuro, ficam as vezes que jurei que não ia acontecer de novo, e aconteceu. Ficam as lágrimas presas no descontentamento e os sorrisos que são lembrados entre uma nota e outra de uma música antiga. Fica tudo e ao mesmo tempo nada.
Guardam-se todos os sonhos que não se realizaram, todas as juras que não foram cumpridas e todas as vezes que jurei que ia esquecer, e não esqueci. Guardam-se.... E ficam lá pra que em algum momento possamos viver um pouco do passado, lembrarmos um pouco dos que ainda não foram embora, e descobrirmos que são nas coisas inacabadas que ficam os sentimentos que mais incomodam.
Em todas as coisas que não acabam paira o fantasma do “e se...”. Se tenho saudade? Tenho não... Mas não controlo meu fantasma, ele toma os meus pensamentos, me confunde, me rende com armas sentimentais que eu mesma prego em mim.
O meu fantasma são minhas borboletas negras, e eu espero, realmente espero, que um dia elas se libertem de mim e possam ir embora, voar em outros ares, voar longe daqui. E também espero que nesse dia se esqueçam do que eu senti, porque eu já esqueci.
"cause lovers will come, lovers will go this rare seed from which true love might grow and if you see her, won't you please say hello cause i don't know if i can do this alone "

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Um último adeus.


Eu cá, imersa em tantos “poréns” que a vida (de terno e gravata) coloca diante de mim havia me esquecido de lá. E hoje me veio uma saudade e um medo tão grande que transbordou em frio aqui dentro e lá fora. Por algum motivo que não entendo ainda chamava aquela terra de casa, ainda lembrava do cheiro das cortinas e do tempo seco que atacava sinceramente minha rinite. E por mais que eu tenha me acostumado com a maresia das manhãs daqui, com meu travesseiro e com minha cama, ainda me confortava saber que eu poderia voltar a qualquer hora que minhas lembranças estariam guardadas ali.

Hoje me tiraram um pedaço, pois quando eu voltar será outra casa, não terei mais um quarto que me espera, nem os sonhos que passaram, nem as lágrimas que ficaram presas em cada canto daqueles momentos que vivi. Esquecerei do primeiro adeus que me quebrou o coração, dos primeiros passos da minha cachorra e do último suspiro acompanhado da solidão, e por mais que eu quisesse me conformar que a minha vida é um ciclo a estagnação daquele lugar me dava a segurança de que todo meu passado seria meu pra sempre enquanto ele existisse, enquanto os meus anjos estivessem naquela cabeceira, enquanto resquícios das minhas roupas estivessem naquele armário, enquanto todas as minhas alegrias e tristezas estivessem guardadas naquele cheiro que eu voltava a sentir quando voltava pra casa, mesmo que por poucos dias, ou por poucos segundos em meus pensamentos.

Imagino agora que quando voltar será outro Eu dentro daquela cidade, e aquilo tudo será tão indiferente as minhas lembranças que perderei o lugar onde o meu passado se encontrava. O ponto onde tudo havia parado pra me trazer de volta a vida, mas que havia ficado ali por muito tempo, esperando o dia que eu quisesse voltar e reviver tudo que fui por alguns segundos. Hoje a sensação que tenho é que perdi o meu passado.