segunda-feira, 30 de junho de 2008

Um último adeus.


Eu cá, imersa em tantos “poréns” que a vida (de terno e gravata) coloca diante de mim havia me esquecido de lá. E hoje me veio uma saudade e um medo tão grande que transbordou em frio aqui dentro e lá fora. Por algum motivo que não entendo ainda chamava aquela terra de casa, ainda lembrava do cheiro das cortinas e do tempo seco que atacava sinceramente minha rinite. E por mais que eu tenha me acostumado com a maresia das manhãs daqui, com meu travesseiro e com minha cama, ainda me confortava saber que eu poderia voltar a qualquer hora que minhas lembranças estariam guardadas ali.

Hoje me tiraram um pedaço, pois quando eu voltar será outra casa, não terei mais um quarto que me espera, nem os sonhos que passaram, nem as lágrimas que ficaram presas em cada canto daqueles momentos que vivi. Esquecerei do primeiro adeus que me quebrou o coração, dos primeiros passos da minha cachorra e do último suspiro acompanhado da solidão, e por mais que eu quisesse me conformar que a minha vida é um ciclo a estagnação daquele lugar me dava a segurança de que todo meu passado seria meu pra sempre enquanto ele existisse, enquanto os meus anjos estivessem naquela cabeceira, enquanto resquícios das minhas roupas estivessem naquele armário, enquanto todas as minhas alegrias e tristezas estivessem guardadas naquele cheiro que eu voltava a sentir quando voltava pra casa, mesmo que por poucos dias, ou por poucos segundos em meus pensamentos.

Imagino agora que quando voltar será outro Eu dentro daquela cidade, e aquilo tudo será tão indiferente as minhas lembranças que perderei o lugar onde o meu passado se encontrava. O ponto onde tudo havia parado pra me trazer de volta a vida, mas que havia ficado ali por muito tempo, esperando o dia que eu quisesse voltar e reviver tudo que fui por alguns segundos. Hoje a sensação que tenho é que perdi o meu passado.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Nostalgia

"Um dia você descobre que "crescer" é inevitável. Que nem tudo é como você espera e que criar expectativas quanto as pessoas só atrai pensamentos errantes, o certo é você criar expectativas sobre si mesmo , ultrapassá-las e ver à sua volta o resultado de tudo que você transformou em um tornado só pra SE organizar e acreditar que nem tudo é exatamente como você quer.
Um dia você percebe que por mais que você implique com sua mãe, com seu irmão e com toda sua família, eles vão fazer falta! Isso mesmo! Quando você estiver a 800 km de casa e lembrar do bolo de chocolate, das velas e de tudo que você odiou você vai entender que essas pessoas são grande parte de sua vida, que elas vão estar ali com um olhar de aconchego pra sempre, que você pode ser o que for: astronauta, flautista, andarilho; e você também pode ser como for, você pode voar, sonhar e até mesmo se estrepar,eles sempre serão o porto seguro nas noites frias, vão estar ali quietinhos, junto com o cheiro de feijão recém cozido, com a gritaria das crianças na cozinha, com tudo aquilo que você sempre amou e que achava que não sabia.
Um dia você encontra a criança no espelho, e então consegue ver a magia de sonhar com um futuro, entender o passado e viver incondicionalmente o presente. Você sabe que os preços vão subir, que o trabalho um dia vai te enlouquecer e que o trânsito vai te atrasar, mas você tem um porquê. Quando se tem um porquê tudo faz sentido. Não importa os fantasmas que não te deixam, o passado que te arrasta levando com ele tudo em que você acredita. Você aprende que certas feridas nunca saram, é isso mesmo... Certas feridas estarão ali pra sempre e cabe à você esquecê-las ou remoê-las a vida toda.Um dia você lembra que nem tudo é pra sempre, que amigos virão, estarão e um dia o destino leva eles pra bem longe, alguns ficarão por perto, outros ficarão por dentro, outros se esquecerão com o tempo, o importante é você não esquecê-los. Há de existir sempre o sorteve em dia de chuva, as risadas e as lágrimas em dias de sol. Lembrar é a melhor forma de viver tudo de novo, de voltar no tempo, e fazer de conta que você ainda tem seus 15 anos e acha que já viveu demais pra saber sobre tudo na vida.
E sim, por mais que o destino seja cruel, que você sofra, derrame rios de lágrimas você vai se apaixonar, de novo e de novo. E um dia com entardecer cor de laranja você vai o encontrar. Poucas buscas são tão intensas quanto a pela da felicidade. Você procura nos outros, em você e quando você começa a enlouquecer passa a buscar até em lugares simples como embaixo da cama, atrás das portas e dos armários, e um dia tudo isso acaba. Nesse dia você encontra sua verdadeira casa. Nesse dia você descobre a mão que te segura, os olhos que te guardam e o beijo que te acalma. Você tem o seu herói que te proteje contra todos os males da vida , da solidão... Que te puxa de lá do fundo pra te mostrar o amanhecer dos seus sonhos e o entardecer de seus desperos. E você se exaspera...Cuida tanto que as vezes teme descuidar, ama tanto que as vezes pensa não aguentar, mas no fim, apesar de tudo você se entrega, você vive assim como tem de ser, com quem tinha de ser, porque você sabe que aquela pessoa é só pra você assim como você será sempre dela.
E no final de tudo, quando você acha que está bem velhinha aos 22 anos você suspira bem fundo de um suspiro de Vida, de esperança, de amor, de saudade... E junta tudo que você viveu em uma caixinha bem colorida, esconde em um canto bem bonito do seu coração, olha-se no espelho e dá-se um belo sorriso. Um sorriso de penetrar na alma, um sorriso de penetrar , um sorriso pra lhe mostrar a vida." 23-11-2007

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

*A que:

Sonha;
Sorri;
Acorda de mau humor;
Anda;
Faz o café;
Corre;
Atrasa;
Grita;
Chora;
Sofre;
Canta no chuveiro;
Lava a roupa;
Passa;
Vê um filme na tv;
Ensaia o pôr-do-sol;
Vê o barquinho na enseada;
Observa o mundo e Sente enquanto todos estão sendo;
Corre (esta chovendo);
Escreve porque dói;
Chora porque tenta;
Liga porque tem saudade;
Prepara o jantar;
Abraça;
Ama;
Dorme;
Sonha novamente;

sábado, 29 de setembro de 2007

Porque nem tudo precisa de explicação...

Inúmeras vezes observo o céu repetir-se na janela e cada dia acredito mais que o mundo, assim cor de anil ou cor de jambo, é enfadonho. E não digo pelas várias vezes que passei por ali, ou pelas vezes que deixei de estar aqui, ou pelos tantos “poréms” que impediram-me de ser levada para acolá. Cada traço da cidade cinza parece-me só, e acho, em dias assim, que tudo existe de forma singular porque necessariamente somos sós. Insistimos em ser metade porque apesar de tudo, por algum descuido da natureza, necessitamos de cuidado, de um olhar que descansa, precisamos lutar contra tudo que somos porque é assim que tem de ser.
Cada molécula que nunca irá repetir-se novamente, cada segundo que voa pelo tempo e nunca mais viverá a não ser em nossa mente. Penso em tudo que vai e tudo que fica, e o passado substancialmente me soa tão presente quanto a vida, e a linha que o distingue do agora faz-se tão frágil que hora ou outra me perco no tempo tentando esquecer tudo que foi e o medo do que será.
E o tempo passa pela janela e não peço carona, observo-o indo e vindo, suas curvas, seus desvios, seus atropelos, seus inesperados encontros, suas paixões e suas lágrimas escorrendo. Tento livrar-me dele mas ele me gruda, me pega, me leva daqui pra o passado e vez outra me traz de volta assim, ressabiada... Leva-me daqui pro futuro e vez ou outra me traz de volta assim, com sonhos juvenis. Leva-me pra o presente e não me trás de volta não, fico inerte dentro de cada esboço de sorriso que dou e que guardo dentro de mim como um tesouro inimaginável.
Dentro de cada instante tento esquecer-me de todas as coisas necessárias, mas elas invadem o meu mundo em dias irrelevantes, em horas inesperadas, preenchem o vazio de meus pensamentos e devastam tudo que plantei e reguei em meu coração. Ficam martelando, viram idéias fixas e voam, voam por ai e por aqui sempre que estou a distrair-me com os andares de viver.
Chove lá fora, e o vidro novamente esta embaçado, e na névoa bem ali à frente eu percebo o que tanto me custa enxergar. Viver dói, viver cura... E viver inesperadamente é a única solução para nós, esses bichinhos tão instintos ultimamente, os sonhadores.


sábado, 4 de agosto de 2007

Sobre as manhãs após finalmente acordar pra vida

"Porque foste na vida
A última esperança
Encontrar-te me fez criança
Porque já eras meu
Sem eu saber sequer
Porque és o meu homem
E eu tua mulher
Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh'alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser"
(Tom Jobim)

Misteriosamente, e não por coincidência, parece-me que Rio de Janeiro exala MPB por todos os poros. Talvez seja o pão de açúcar ou o corcovado, pensando melhor... Deve ser o amor.